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Petra: Era uma vez uma rosa no deserto

A subida ao Mosteiro

A prosperidade que marcava o dia-a-dia dos nabateus rapidamente começou a despertar cobiça entre outros povos e, em 312 antes de Cristo, Petra sofreu o primeiro ataque, pensado pelo governador selêucida Antigonus, que enviou para a região um grande número de cavaleiros. Órfã dos seus homens, ausentes algures, a cidade assistiu à matança de mulheres e crianças e ao saque de alguns dos seus bens mais valiosos.

Reza a história que, de regresso a Petra e às suas casas, os árabes não tardaram a pôr em prática um plano de retaliação que apenas terá poupado 50 dos 4000 cavaleiros. Uma nova tentativa de assalto, agora conduzida por Demétrio, filho do governador, redundou num fracasso mas Petra não haveria de esperar muito tempo até se dar conta das ambições dos romanos.

A minha ambição, muito mais humilde, passa agora por subir aqueles mais de 800 degraus que, de quando em quando, me obrigam a fazer uma pausa que aproveito para admirar as rochas sulcadas de rugas que impregnam tudo em redor. Em menos de uma hora, sob aquele sol quente que castiga a terra, chega a recompensa pelo esforço, um monumento colossal que surge como um espectro do passado.

Esculpido no flanco da montanha, o Mosteiro, com os seus 42 metros de altura e 50 de largura, é maior do que o Tesouro e terá sido construído no século III antes de Cristo, alegadamente dedicado ao soberano Obodas I. Assim baptizado devido às cruzes esculpidas nas suas paredes interiores, indiciando a utilização do edifício como igreja durante a ocupação bizantina, o Al-Deir, na sua expressão árabe, requer ser examinado, a relativa distância, com uma atenção afectuosa. Pleno de luz do sol que desce no céu, a contemplação do Mosteiro proporciona uma calma eterna e um impulso sentimental que nenhuma palavra pode descrever.

O imperador Pompeu, já com a Síria e a Palestina entre as suas conquistas, tenta apoderar-se de Petra em 63 antes de Cristo. Mas a tentativa redunda em fracasso perante a capacidade revelada pelo rei nabateu Aretas III para subornar as tropas romanas. Por um período, embora não muito longo, a cidade continua a gozar o estatuto de independente. Mas em 106 depois de Cristo, na sequência de outras incursões e do facto de os nabateus terem deixado de pagar tributo, como a tal estavam obrigados por terem ajudado os Partos na guerra com os romanos - que saíram vencedores -, a cidade cai finalmente e torna-se numa província de Roma. Mais do que a força ou o poder das armas, foi o facto de ter deixado de ser um lugar de passagem das caravanas que motivou o declínio de Petra - os mercadores passavam agora por Palmira, na Síria.

O odor flutua no ar, o lume anima e crepita na lareira e as chamas dançam no rosto da beduína que se abriga do sol no interior da gruta. Bebo um café com cardamomo e fotografo a jovem que me sorri com uns olhos que têm um brilho da luz outonal.

Infatigável como uma aranha, vou ao encontro dos Túmulos Reais, agora dourados pelo sol - podem-se contar mais de 78 cores em Petra -, admiro calmamente o Anfiteatro e um lagarto azul que parece aguardar um qualquer espectáculo. Passo pela Necrópole e subo até um promontório onde supostamente não vou encontrar um único turista e dali observo, ao fundo, como uma sentinela, o Tesouro, que me provoca um novo frémito de vida.

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