Fugas - Viagens

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O sorriso de Buda

A era do ecoturismo

O Laos iniciou um processo de abertura ao exterior a partir de 1986, a par de alterações na esfera do controlo estatal da economia, que culminaram com a garantia do direito à propriedade privada e a consagração da economia de mercado pela Constituição de 1991. Com estas mudanças, iniciadas na sequência do IV Congresso do Partido Popular Revolucionário do Laos, não tardaram a surgir numerosas iniciativas no âmbito do turismo, designadamente do ecoturismo e do turismo cultural. O sector começou por estar reservado ao investimento nacional, mas a partir de 2006 foi aberto ao investimento estrangeiro. O número de turistas cresceu rapidamente, dos escassos 14.000 em 1991 para cerca de 2.000.000 actualmente, segundo estatísticas oficiais. Na estratégia do governo do Laos para o período 2006-2020 — uma espécie de plano quinquenal para o desenvolvimento das actividades turísticas — o turismo cultural e o ecoturismo são segmentos claramente privilegiados, face ao extraordinário potencial do país. Dos cerca de um milhar de sítios recenseados, mais de metade corresponde a sítios com interesse para o turismo de natureza, 250 têm interesse cultural e 160 histórico.

O país tem um relevo bastante montanhoso — à volta de dois terços do território são formados por montanhas e planaltos. Dado especialmente relevante para a biodiversidade que caracteriza o Laos é o facto de cerca de metade da área florestal corresponder a floresta primária, sobretudo floresta tropical húmida. Calcula-se que as zonas mais remotas do Laos possam esconder espécies ainda por descobrir. Recentemente, foi identificada na Reserva Natural de Bokeo, perto de Huay Xai, uma população de gibões, espécie ameaçada que se julgava extinta no país. A reserva esconde também tigres e muitos outros mamíferos.

A região à volta de Luang Prabang é — tal como todo o Centro e Norte do país — privilegiada em termos de potencial para o ecoturismo. Têm surgido nos últimos anos muitos projectos, com benefícios quer para a conservação, quer para a economia das comunidades, uns mais originais do que outros, como é o caso da Gibbon Experience (www.gibbonexperience.org), na Reserva Natural de Bokeo. Os visitantes ficam instalados em cabanas construídas nas árvores, a que têm acesso somente através de cabos aéreos, e beneficiam de um extraordinário posto de observação sem precisarem de se mover através da floresta. A partir de Luang Prabang, as navegações ao longo do Mekong, com passagem pelas grutas de Pak Ou, que acolhe centenas de imagens de Buda, podem ser uma via de acesso à província de Bokeo. Em Luang Prabang pode-se organizar, também, uma visita ao centro de conservação de elefantes de Sainyabuli, perto de Pakbeng. Nas imediações da cidade há umas belas cascatas (Kuang Si).

No Norte, nas províncias confinantes com o Vietname e a China, há outras experiências possíveis. Na Reserva Nacional de Nam Ha, perto da fronteira com a Birmânia, vivem elefantes, leopardos e tigres, embora seja muito difícil avistar estes últimos. Um crescente número de agências, em Luang Nam Tha, organiza trekkings na reserva, entre outras actividades, como canoagem e rafting. Mais a norte, na região de Phongsali, no extremo norte, os trekkings são muito reputados, articulando-se com a prática de alojamento nas aldeias da minoria Akha.

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