Fugas - Viagens

  • Na ilha Koh Chang
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  • Em Trat
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  • Em Ban­gue­co­que
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  • Em Ban­gue­co­que, pad thai num res­tau­rante que é uma ins­ti­tui­ção na cidade, o Thip Samai
    Em Ban­gue­co­que, pad thai num res­tau­rante que é uma ins­ti­tui­ção na cidade, o Thip Samai

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A Tailândia como nunca a vimos, como sempre foi

Estamos, então, muito longe de Banguecoque, aqui nas margens do canal que segue até ao mar rodeado de florestas de mangue. Seguiremos com ele, nele, a bordo de um barco pesqueiro, até trocarmos a água castanha pela água azul baço do mar. Acompanhamos os pescadores na sua labuta diária – desta feita é para turista ver mas a pesca ocupa 75% da população de Ban Nam Chiao. Não apanhamos mas vimos apanhar os hoi pak ped, “língua de concha” em tradução livre, lingula anatina de nome oficial, um braquiópode: duma concha achatada sai um corpo mole, como uma minhoca. Nestas águas baixas são apanhados com os dedos dos pés para terminarem à mesa, depois da passagem pelo fogão onde são cozinhados num caril de leite de coco com alho. Não passaram pela nossa mesa, mas percebemos, depois de os vermos no fundo do barco, que o que pensamos serem lulas nas bancas de comida era antes hoi pak ped. Nestas mesmas águas pouco profundas, junto à costa, plantamos um mangue sem precisar de entrar na água: passam-nos um pau e só necessitamos de o deixar cair na água, pois ele continua em pé e ganha raízes – imaginamos que seja um mangue-vermelho, como os que ladeiam a água, raízes aéreas a abrigar um habitat de crustáceos e alguns peixes.

Não é apenas um ritual para turistas, este. Desde que, há 11 anos, o turismo comunitário começou a dar os primeiros passos na comunidade, toda a população ganhou nova consciência da importância do ecossistema em que vive. Se antes os mangues eram abatidos indiscriminadamente, para a construção de casas, por exemplo, agora é necessária uma permissão especial acompanhada de um trabalho de replantação. “Disseram-nos: as pessoas vêm pelo que vocês têm, não pela coisas novas”, explica P’ Noy (o P’, ou phee, é comum porque antes do nome é sinal de respeito por alguém mais velho – literalmente é irmão ou irmã mais velhos, carinhosamente é uma espécie de “tiazinha”), a líder da comunidade, super-estrela do turismo comunitário na província – e este adjectivo é do guia-tradutor. Com o turismo, portanto, veio um novo apreço pelas coisas de sempre e novos hábitos, como o de não lançar o lixo para o canal, manter a “casa” limpa. “Não foi uma obrigação, seria impossível, mas todos começaram a perceber os benefícios do turismo.” Mesmo os jovens, continua P’ Noy, que antes se dedicavam “a roubos e ao consumo de drogas”, perceberam que conseguiam arranjar trabalho nesta área. “Agora, alguns estão a tornar-se líderes.” E alguns vêm televisão deitados no chão das casas, as tais portas abertas permitem vê-los estendidos, no fresco, indiferentes a quem passa.

Voltamos costas à baía de contornos caprichosos e montanhas para lá de leve neblina. Na sala de visitas do “bairro do canal” almoçamos e temos aulas de culinária. Primeiro, tostas de arroz frito, à falta de melhor tradução do inglês rice chips. É Ki Ew quem faz a demonstração e dá as indicações aos neófitos: a farinha de arroz já está misturada com água e sal, com uma concha retira-se o líquido e coloca-se sobre uma chapa quente, com uma espátula retira-se a massa, finíssima, e estende-se num tabuleiro – tudo dura meio minuto. A “bolacha” é colocada ao sol durante dez minutos para ficar estaladiça, e por cima coloca-se o “acompanhamento”, no caso, um camarão com coco, salgado e doce na combinação comum da cozinha tailandesa. P’ Kai, lenço negro na cabeça e saia colorida comprida, é a “formadora” seguinte e a sua “especialidade” é uma sobremesa, tangme krop, caramelo crocante, muito popular na comunidade (e com vendas para todo o país), tanto entre budistas como muçulmanos, sobretudo no período do Ramadão, como um snack que se come ao longo de todo o dia e que, ultimamente, começa a ser utilizado no café em vez do açúcar. A mistura que inclui leite e xarope de coco e açúcar é cozinhada num wok grande até ganhar uma certa consistência. Depois é pendurada e constantemente mexida com um pau em movimentos largos e constantes para não cair – no momento certo é retirado um grande troço que é imediatamente dividido em pequenas porções, antes de secar e se tornar estaladiço: o resultado tem a textura de um tronco fino e a doçura exacta.

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