Fugas - restaurantes e bares

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  • João Cunha, da beBusiness
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Este pastel de nata quer conquistar o mundo e já tem casa (e esplanada) em Lisboa

Por Alexandra Prado Coelho ,

Quando o ministro da Economia falou no "franchising" do pastel de nata já uma empresa estava a apostar na ideia. O Nata Lisboa abre o seu primeiro espaço, com direito a uma pacata esplanada em pleno Príncipe Real. "O mundo precisa de nata", apregoam.

É estaladiço e servido morno. Chama-se Nata Lisboa, e é o novo pastel de nata que quer conquistar o mundo a partir de Lisboa - e, ao mesmo tempo, levar Lisboa ao mundo. O espaço é inaugurado esta terça-feira no Príncipe Real, no local onde funcionam também a galeria Fabrico Infinito e a livraria Babel.

Muito se falou de pastéis de nata como forma de o país se promover depois de o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, os ter dado como um bom exemplo de um produto português que podia ser exportado, num sistema de franchising. Mas, nessa altura, já a beBusiness, uma empresa com experiência de franchising noutras áreas, tinha pensado nisso. Agora, seis meses depois, abrem o primeiro espaço Nata.

Atravessa-se a Fabrico Infinito, e logo aí temos Fernando Pessoa por todos os lados, dos livros às frases gravadas em peças de roupa. Chegamos ao fundo e entramos no café, que tem uma esplanada nas traseiras. Há mesas à sombra das árvores, cadeiras espreguiçadeiras, e... pastéis de nata.

Com uma receita própria de pastel, da responsabilidade do mestre pasteleiro Gilberto Costa e do chefe José Alexandre, um logotipo desenvolvido pela equipa de designers de André Senteeiro e inspirado no trabalho de ferro forjado das varandas de Lisboa, e com a ajuda de Fernando Pessoa, o Nata vai ser promovido com a frase "the world needs nata" (o mundo precisa de nata).

João Cunha, da beBusiness, sorri: "Numa altura em que anda tudo muito azedo, este é um doce que enche a alma, e que, comparado com outros, tem um baixo valor calórico". É verdade que as geralmente chamadas portuguese custard tarts já se comercializam em vários pontos do mundo, mas, argumenta, geralmente com uma qualidade bastante inferior à que encontramos nos pastéis de nata portugueses.

O pastel de nata "tem uma receita bastante simples, mas que pode ser facilmente adulterada", explica o responsável da beBusiness. Por isso, aqui a principal preocupação, para além da qualidade dos ingredientes, é garantir que há uma consistência no produto, seja em que local for ou a que horas for servido. Para isso, existe uma produção centralizada numa fábrica, e a distribuição pelas lojas, onde é feito o acabamento com a última cozedura. Entretanto, os pastéis são mantidos numa estufa para não perderem as suas características.

Nos tabuleiros e nas caixas para levar pastéis para casa, Fernando Pessoa, através de Álvaro de Campos, lembra-nos: "Olha que as religiões todas não ensinam mais do que a confeitaria". A associação Pessoa-pastéis de nata faz aqui ainda mais sentido, sublinha João Cunha, por este ser um espaço partilhado com a libraria Babel. Mas a imagem do poeta acompanhará os pastéis noutros pontos do mundo, porque o princípio deste projecto é precisamente a ligação entre o doce e Lisboa.

Uma ligação que se alarga depois a outros produtos também servidos no Nata Lisboa. "Procurámos recuperar coisas que fazem parte da pastelaria de Lisboa antiga e que encontramos em alguns sítios dispersas mas geralmente não todas no mesmo sítio". Assim, há torradas com manteiga artesanal, pão com manteiga e doce, ou, noutra versão, uma "tábua portuguesa", com pão, manteiga, doce, queijo e fiambre.

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