Fugas - Viagens

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Mariana Oliveira e André Gomes
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Mariana Oliveira e André Gomes
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Mariana Oliveira e André Gomes
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  • Cristina Fernández, entre os Himba (Namíbia)
    Cristina Fernández, entre os Himba (Namíbia)
  • Cristina Fernández, na Namíbia
    Cristina Fernández, na Namíbia
  • Cristina Fernández, Cataratas Victoria, Zimbabwe
    Cristina Fernández, Cataratas Victoria, Zimbabwe
  • André Parente
    André Parente
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  • Anabela e Jorge Valente
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Viajantes: confiar é preciso, até certo ponto

Por Andreia Marques Pereira

O que é essencial numa viagem? A confiança: em nós, sempre, e nos outros, com cautelas, dizem os viajantes com quem a Fugas conversou.

Cristina Fernández: Passeio pelo mundo

Brinca dizendo que nasceu a viajar, Cristina Fernández, sevilhana nascida em Londres. Viajou sempre e encontrou o seu trabalho de sonho quando se tornou jornalista do programa televisivo Andaluces por el mundo, o pioneiro desta franchise em Espanha. Quando este terminou, continuou a trabalhar em televisão e a viajar sempre que o trabalho permite (e a escrever no seu blogue de viagens). Com o namorado, em grupo, cada vez mais sozinha, sobretudo nas viagens mais longas. “Tenho o meu ritmo, posso fazer o que quero a cada momento, sem depender de ninguém. E falo muito mais com os locais.” Mesmo que não falem a mesma língua, como aconteceu numa viagem de camioneta na Tailândia, onde passou oito horas a “conversar” com a senhora ao seu lado. “Ela até partilhou a comida que trazia”, recorda. Em Marraquexe, o facto de ir cumprimentando quem passava, salamu aleikum, não só a livrou de muito assédio como lhe valeu convites para pequenos-almoços, chás. Não evitou, porém, que em Marraquexe, tenha sido perseguida por um homem “con muy mala pinta”. “Esteve meia manhã atrás de mim e só me dizia coisas em árabe, que eu não entendia. Acabei por entrar num museu e vi que ficou à porta. Falei com os funcionários do museu que saíram e lhe disseram algo. Quando saí já não estava.”

Com 33 anos, Cristina não tem dúvidas: viajar é o que mais gosta de fazer. E às vezes confia demasiado nela própria, o que a deixou — e ao namorado e a outro casal — em situação perigosa numa viagem pelo Botswana e Namíbia, quando decidiram fazer um safari livre. Num dos parques nacionais do Botswana, onde se pode ficar o tempo que quiser, um dos mapas que levavam não assinalava um rio, por onde passaram ao anoitecer, hora de banho dos elefantes. Encontraram várias manadas e um deles, com crias, decidiu protegê-las. Aproximou-se do jipe e ficou a cerca de 10 metros — eles lá dentro durante 30 minutos, imóveis, à espera que ele se lançasse contra a viatura. Acabou por afastar-se e eles seguiram. “Tínhamos lido guias, vimos como se deveria reagir perante animais selvagens, mas nada nos preparou para aquilo. Fomos muito inconscientes”, assume. À distância, contudo, diz que viveu uma “verdadeira aventura”. Nessa mesma viagem, desta vez em Windhoek (capital da Namíbia), outra aventura, menos selvagem. Foi levantar dinheiro a um multibanco, sozinha, e foi abordada por um rapaz que a queria ajudar, dizendo como colocar o cartão, “de outra forma não funcionaria”. “Eu estava a confiar, mas depois reparei que três mulheres haviam parado a observar e faziam não com a cabeça.”

Ou seja, há que “confiar até certo ponto”, conclui, e é o que faz nas suas viagens, que são como um “passeio pelo mundo”. Em Chiapas (México), pleno território zapatista, estava a chegar a San Cristóbal de las Casas, por uma estrada péssima e noite cerrada. Passaram três carros no sentido contrário e todos fizeram sinais de luzes, ela sem saber porquê. Até que vê um homem deitado no meio da estrada. “Tive que travar a fundo”, recorda, “e ficámos [ia com o namorado] sem saber: será que se passou algo ou é uma armadilha?” Tomada pelo nervosismo, começou a chorar, mas decidiram seguir a viagem. Mais tarde veio a saber que aquele cenário era comum — “apenas” homens bêbados. A mesma decisão tomaram em Ilhéus (Salvador da Bahia), quando passaram de carro por dois homens atacando-se na beira da estrada com “umas espécies de foices”. “Não sabia como iam acabar, mas não podíamos arriscar”.

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