Nas imediações de Valle de la Serena, sem indicação de acesso ou identificação, ainda se vêem as trincheiras construídas pelos combatentes republicanos (Lat. 38º42.508"N; Long. 005º49.182"W). Estendiam-se ao longo de quilómetro e meio e faziam parte de um dispositivo de defesa que incluía outras linhas para protecção dos combatentes. A localização da aldeia num ponto estratégico, dominando a região e o vale atravessado pelo rio Ortigas, explica a construção das trincheiras. As tropas franquistas estavam do outro lado da serra, em área não directamente visível a partir daqui, mas qualquer movimentação de tropas seria sempre detectada.
Não muito longe deste lugar, integrados no mesmo perímetro defensivo, é possível encontrar os muretes de uma casamata republicana, sobranceira ao rio Guadaméz (Lat. 38º42.531"N; Long. 005º49.206"W). Alguns metros mais abaixo, na encosta, há os rastos de uma trincheira. Uma terceira casamata permitia controlar a estrada para Don Benito. Este núcleo resistiu até ao Verão de 1938, quando foi encerrada pelas tropas franquistas a chamada bolsa de La Serena.
Na época, esta região era mais habitada, mas a paisagem não sofreu grandes alterações. É uma zona rochosa, escassamente arborizada, agreste e quase sem sinais de intervenção agrícola onde, ontem como hoje, é difícil viver. Pode imaginar-se como seria dura a vida dos soldados e milicianos destacados nestes lugares, muitas vezes situados a razoável distância da aldeia mais próxima, suportando temperaturas muito baixas no Inverno e um calor ardente durante os meses de Verão, a braços com a inactividade decorrente da estabilização da frente durante meses. Hoje, porém, são só restos de construções - mais sólidas as construídas pelos franquistas, mais rudimentares as do lado republicano - que nada dizem sobre quem as habitou e defendeu, o que pensavam e como viviam, com o inimigo à vista e perante a iminência de um ataque ou de um assalto...
Casamatas, refúgios e bunkers
Sobressaindo na monotonia da paisagem escanzelada, nas proximidades de um maciço rochoso e à vista da linha férrea que vem de Castuera, duas casamatas franquistas nas proximidades de Puerto Mejoral (Lat. 38º42.046"N; Long. 005º27.665"W) são notas dissonantes entre a vegetação rasteira. Uma delas ainda exibe o símbolo da arma de artilharia do exército franquista, inscrito no betão num gesto de orgulhosa marcação de território que a passagem do tempo se encarregou de tornar ridículo e inútil.
As três casamatas franquistas de Puebla de Alcocer (Lat. 38º57.780"N; Long. 005º18.475"W) ficam ao lado da estrada que liga Castuera a Orellana La Vieja, mais a norte. Há que andar a pé por uma vereda mal talhada no mato, pois não são visíveis da estrada. Em contrapartida, das duas posições de metralhadora de uma delas alcança-se perfeitamente um troço da estrada antes desta desaparecer numa curva larga. A localização é perfeita, abrangendo o território até à longínqua linha do horizonte, tornando impossível qualquer aproximação de surpresa.