Fugas - Viagens

Enric Vives-Rubio

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Pelos caminhos da guerra civil e da memória histórica

Quem gosta de livros não pode falhar uma visita à livraria Universitas (Avda. Ramón y Cajal, 11; tel. 34-924245856). A secção de história espanhola contemporânea tem muitas obras sobre o tema da guerra civil.

As rotas da memória
O Centro de Desenvolvimento Rural La Serena (http://www.laserena.org), com sede em Castuera, identificou e assinalou os testemunhos bélicos relacionados com a guerra civil espanhola nesta região da Estremadura.

Rota 1
A frente estremenha no vale do Guadalefra
O percurso coincide com a antiga estrada para Cabeza del Buey. Atravessando a paisagem pseudo-estepária, atinge-se o vale do rio Guadalefra. Durante o conflito, as tropas franquistas reconstruíram parcialmente o caminho para permitir a ligação com o sector fortificado da frente do mesmo vale, ocupado pela 122ª Divisão. Na outra margem encontravam-se as linhas republicanas da 107ª Brigada Mista, com um sistema de fortificações mais ligeiras e com funções defensivas, orientados para recolher informação sobre possíveis movimentos de tropas.

Rota 2
Entre as linhas da frente franquista (Novembro 1938-Março 1939)
É um itinerário que atravessa as linhas defensivas da frente franquista, fixada em La Serena após o fecho da chamada Bolsa de La Serena (finais de Julho e princípio de Agosto de 1938) e a contra-ofensiva republicana de 22 de Agosto do mesmo ano. Há três pontos de interesse a reter. O primeiro é o que resta do plano de fortificações desenhado pela 21ª Divisão e pela Companhia de Sapadores nº 14, cujos trabalhos se centraram nos arredores do Castelo de Almorchón (imediações da serra Buitrera) e na estrada de Navalpino, entre Castuera e Puebla de Alcocer. O outro ponto a visitar é a chamada Casa de los Elias, ao lado do caminho atrás referido, e que serviu de quartel e enfermaria durante e depois da guerra. O terceiro ponto é a posição de onde se obtém uma visão panorâmica dos restos do campo de concentração de Castuera. As suas instalações foram erguidas pela 21ª Divisão franquista no final da guerra.

Rota 3
Ermida de Belém-Sítio? da Sorianilla
O ponto de partida é a Ermida de Nossa Senhora de Belém. Este monumento, originalmente um convento templário (séc. XIII), foi saqueado e a imagem da Virgem destruída por milicianos republicanos logo a seguir ao golpe franquista de Julho de 1936. O caminho a percorrer é paralelo à via-férrea Badajoz-Ciudad Real. O ponto mais afastado do percurso rodeia uma saliência próxima da quinta La Sorianilla. A partir de Setembro de 1938, este enclave teve uma grande importância na estrutura defensiva das posições franquistas nas imediações de Almorchón. Existe ali uma cruz em memória dos habitantes de Castuera de direita mortos por milicianos republicanos no Verão de 1936.

Rota 4
Castuera, Miguel Hernández, 1937
É um percurso urbano que procura reconstituir o momento histórico vivido pelo poeta Miguel Hernández quando esteve em Castuera, na Primavera-Verão de 1937. A visita passa pelos locais que foram utilizados pelas autoridades republicanas na altura em que a cidade era capital da Estremadura, na sequência da tomada de Badajoz, Cáceres e Mérida pelas tropas franquistas. Um dos locais mais relevantes é a casa onde estava instalado o diário Frente Extremenho, no qual Hernández publicou alguns dos seus poemas.

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