Sob um sol abrasador e repetidos bombardeamentos, a resistência republicana foi adiando o inevitável. A meio da tarde, é aberta uma brecha na Porta Trinidad (ficou conhecida como Brecha da Morte) e os nacionalistas penetram também na cidade muralhada pela Puerta de Carros e Puerta Pilar. O Cuartel de Menacho, demolido nos anos 1980 para dar lugar ao actual El Corte Inglés, foi neutralizado.
Na progressão, os nacionalistas encontraram uma resistência desesperada e os combates corpo-a-corpo sucederam-se. Na Plaza de Cervantes foram realizados pelos falangistas os primeiros fuzilamentos, que também ocorreram junto ao muro da Torre da Catedral, na Plaza de España (na altura Plaza de la Republica). Na Calle de Vicente Barrantes (Calle de la Sangra, na memória popular), na Calle Ramón Albarrán e na Plaza de la Soledad, onde existe uma réplica da Giralda de Sevilha, correu sangue e na Plaza Lopes de Ayala, onde estava instalado o comando militar, também se encontravam cadáveres. Os que se tinham refugiado no Teatro López de Ayala, na Plaza Minayo, foram desalojados e o edifício incendiado. Nos pontos mais altos da cidade, Plaza Alta, Alcazaba e Torre de Espantaperros, travaram-se os últimos combates contra milicianos entrincheirados. Nesse mesmo dia 14, Yagüe mandou meter os prisioneiros na praça de touros - demolida em 2002 e substituída em 2006 pelo Palácio de Congressos de Badajoz -, onde as execuções se prolongaram pelos dias seguintes. As estimativas mais fundamentadas falam em cerca de dois mil mortos.
Tudo isto aconteceu num passado já longínquo. A cidade foi reconstruída, cresceu e modernizou-se, mas não há nela uma só referência pública a esses sangrentos acontecimentos. Uma obra da escultora Blanca Muñoz instalada no largo fronteiro ao Palácio de Congressos evoca as vítimas de 1936, mas sem qualquer placa identificativa ou explicativa. E em 2009, ignorando os protestos internos e internacionais e as propostas ARMHEX para salvar mais um símbolo da repressão franquista, o ayuntamento tapou o muro do cemitério de S. Juan junto ao qual houve execuções e foram incinerados cadáveres - as marcas das balas nas paredes nunca tinham sido eliminadas. "O muro velho foi tapado por um novo para ocultar a memória e esconder o impacto emocional das marcas de balas", diz José Manuel Corbacho, presidente da ARMHEX. Dentro do cemitério, existe apenas um memorial, sempre com flores, lembrando a vala comum onde tantos corpos foram empilhados e queimados.
Como ir
O automóvel é o melhor meio de transporte para quem se desloca a partir de Portugal e o acesso aconselhado é pela auto-estrada Lisboa-Caia. Os cerca de 200 quilómetros até Badajoz levam à volta de duas horas a percorrer. A ligação dessa cidade espanhola a Castuera, na comarca de La Serena, não é tão boa, mas não envergonha ninguém: apanhar a autovia da Estremadura no sentido Badajoz-Mérida e sair na direcção Don Benito-Villanueva, seguindo desta última para Castuera.
Onde ficar
Se estabelecer base em território português, Campo Maior ou Elvas são as escolhas mais aconselháveis, pois situam-se a poucos quilómetros da fronteira, estão servidas por estradas aceitáveis e são terras sossegadas.
Na primeira localidade, a melhor opção é o Hotel Santa Beatriz (Avenida Combatentes da Grande Guerra, 18; tel. 268680040; hotel.s.beatriz@mail.telepac.pt).
Em Elvas, a Pousada de Santa Luzia (Pousadas de Portugal), embora envelhecida e a precisar de uma intervenção global, justifica a eleição (Avenida de Badajoz-Assunção; tel. 268637470; recepção.staluzia@pousadas.pt).