No entanto, o maior motivo de interesse é o local onde existiu um campo de concentração entre a Primavera e 1939 e Março do ano seguinte (Lat. 38,722846N); Long. 5,51245W). Fica apenas a dois quilómetros de distância de Castuera, mas sem ajuda é quase impossível encontrá-lo, pois nada assinala a sua existência.
Neste lugar, o novo poder franquista construiu o campo - sete hectares de terra por onde passaram mais de dez mil homens. Rodeados por fosso e cercados por arame farpado, havia 80 barracões sobrelotados, latrinas rudimentares, zona sanitária e área de incomunicáveis para os mais "perigosos". À dureza do clima tanto no Verão como no Inverno, juntava-se a repressão sobre os detidos, sujeitos a uma brutal disciplina que incluía humilhações, castigos, agressões físicas e coacção psicológica, lembra Antonio López. A comida era pouca e má, a higiene pessoal quase não existia e a roupa tinha de ser usada por tempo indefinido. Com estas condições de insalubridade vieram as doenças - sarna, tifo e mesmo um surto de varíola. Havia ratos por todo o lado e a actividade diária dominante consistia em catar piolhos.
Do que existiu há 70 anos já não há quase nada que o testemunhe - os restos de um pedestal de cimento onde antes estava a cruz do campo, as valas de uma fossa sanitária rudimentar e, fora do recinto, o que sobra da antiga torre da mina de La Gamonita, abandonada no final do século XIX.
Outro local esquecido é a colónia penitenciária de Montijo (Lat. 38º55"2.08""N; Long. 6º35"36.92""W), a cerca de 35 quilómetros de Badajoz. Depois de passar a localidade, numa área isolada e cercado por um mar de papoilas na Primavera, fica o que resta do campo-prisão criado pelo regime para "recuperar" os adversários políticos pelo trabalho. Abriu em 1940 e esteve em funcionamento até 1947, quando acabou a construção do sistema de irrigação da região, com um canal de 30 quilómetros que faz chegar a água do Guadiana a estas terras férteis.
Submetidos às regras da disciplina militar, por aqui passaram pelo menos 1500 presos, na sua maioria estremenhos e andaluzes. Estavam alojados em seis barracões, viviam em condições sanitárias más e a alimentação era escassa.
"Os detidos eram organizados em brigadas de 40 elementos e saíam para o campo. Oficialmente, trabalhavam oito horas, mas na prática era de sol a sol, sem direito a dias livres", conta Candela Chaves, bolseira de um projecto sobre a repressão policial na província de Badajoz. Quando foi fechada, calcula-se que ainda haveria cerca de 330 detidos, transferidos depois para prisões comuns.
A colónia deu lugar a uma exploração agrícola privada. Dois dos velhos barracões estão muito degradados e o terceiro, recuperado, é a residência dos actuais proprietários. A Associação para a Recuperação da Memória Histórica da Estremadura (ARMHEX) abriu há pouco um processo para levar o Governo autonómico da Estremadura a declarar este complexo um bem de interesse cultural.
Badajoz, ontem e hoje
Junto à fronteira portuguesa, a cidade de Badajoz viveu no Verão de 1936 um dos episódios mais sangrentos dos primeiros tempos da guerra civil. Dentro das muralhas, cerca de 3500 homens, entre milicianos e apenas meio milhar de soldados, opuseram-se às tropas franquistas comandadas pelo tenente-coronel Juan Yagüe. A cidade foi duramente bombardeada pela artilharia e aviação nacionalistas antes do assalto final, que começou na tarde de 13 de Agosto pela Puerta Pilar e pela Puerta Trinidad. As tropas franquistas foram rechaçadas mas voltaram à carga às primeiras horas da manhã do dia seguinte.