Fugas - restaurantes e bares

  • O chef na sua horta
    O chef na sua horta Nelson Garrido
  • Restaurante Pedro Lemos
    Restaurante Pedro Lemos Nelson Garrido
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    Restaurante Pedro Lemos Nelson Garrido
  • Restaurante Pedro Lemos
    Restaurante Pedro Lemos Nelson Garrido
  • Restaurante Pedro Lemos, feijoada de carabineiro e choco
    Restaurante Pedro Lemos, feijoada de carabineiro e choco Nelson Garrido
  • Restaurante Pedro Lemos
    Restaurante Pedro Lemos Nelson Garrido
  • Restaurante Pedro Lemos
    Restaurante Pedro Lemos Nelson Garrrido
  • Pedro Lemos na apresentação da nova temporada
    Pedro Lemos na apresentação da nova temporada Nelson Garrido

A Michelin deu-lhe “carta branca” e Pedro Lemos quer que ela seja “sempre um Joker”

Por Sandra Silva Costa ,

O chef do Porto, que se estreou no célebre guia vermelho em Novembro, reabriu o seu restaurante homónimo na Foz. A casa tem cara nova e menus retocados. No terraço há uma horta biológica que é a sua menina dos olhos.

A 19 de Novembro de 2014, quando ficou a saber que tinha ganho uma estrela Michelin, Pedro Lemos estava a virar hambúrgueres no Stash – a loja de sanduíches que, com a mulher Joana, abriu oficialmente nesse dia na Baixa do Porto. A casa estava “um caos”, cheia até não poder mais, e a notícia fez com que lhe caísse tudo. “Nesse dia, pela primeira vez desde que me lembro, enganei-me duas vezes com o pedido de um cliente. Cheguei a uma altura da noite em que disse: ‘Tenho de parar, não estou em condições de continuar a trabalhar’.” Caiu-lhe tudo, portanto – até umas lágrimas, dele e da equipa que o acompanha – e de então para cá caiu-lhe também em cima o peso da distinção.

Até aos primeiros dias do ano, Pedro Lemos, o chef do restaurante homónimo na Foz Velha do Porto, reinventou as horas e os minutos de cada dia de trabalho. “Foi uma loucura. A estrela veio e de repente toda a gente quis vir conhecer o Pedro Lemos. Até pessoas que sempre viveram aqui ao lado e nunca nos tinham visitado vieram. Trabalhámos muito, muito, muito.” E depois da tempestade, outra tempestade. “Há muito que eu queria mudar algumas coisas no restaurante, há uns dois anos, mais ou menos, e pareceu-me que essa seria a altura certa.”

A equipa de cozinha foi de férias a 5 de Janeiro e o chef pôs na cabeça que, em três semanas, o restaurante apareceria com novo figurino. Não foram bem três semanas, mas pouco mais. A pedido de várias famílias, houve jantar no Dia dos Namorados e, seis dias depois, o Pedro Lemos, versão 2015, abriu portas para uma apresentação aos jornalistas. Isto depois de muita pedra partida – literalmente. Pedro Lemos pôs a mão na massa e, em vez de chef, tornou-se “mestre-de-obras”. Depois da tempestade, outra tempestade, dizíamos.

Quem já conhecia o restaurante, aberto há cinco anos na Rua do Padre Luís Cabral, nota logo a diferença. A recepção não mudou muito, mas a sala do piso inferior está completamente transfigurada. Tem agora uma enorme mesa de madeira, onde se sentam doze pessoas, e, dá para perceber, é um dos espaços favoritos do chef. “Esta sala pode ter múltiplas funções: o cliente chega e toma aqui um aperitivo, antes de subir para a sala principal; ou toma aqui o digestivo depois de comer; ou então, se for um grupo, pode mesmo jantar aqui, num espaço sem a formalidade do andar de cima.”

Outra novidade desta que é “a sala de estar do chef” – “às vezes acontece os clientes quererem conhecer o chef e este é o espaço ideal para isso” – é a garrafeira que ocupa uma das paredes, agora pintadas num tom “cinza basalto”. Devidamente climatizadas, alinham-se referências de várias regiões vinícolas, portuguesas e estrangeiras, e copos e decantadores Riedel. Se algum cliente experimentar aqui um vinho que lhe encha as medidas, pode também comprá-lo. Em breve, haverá um menu de aperitivos concebido de propósito para esta sala – a feijoada de carabineiro e choco que provámos estará, muito provavelmente, no cardápio.

Dito isto, pés ao caminho para o andar superior. Cruza-se a sala principal, mas quase em passo de corrida, que Pedro prefere mostrar primeiro aquela que é a sua menina dos olhos: a horta biológica instalada no terraço (onde, em dias mais quentes, se podem sentar 20 comensais). Há aqui brócolos, alho-francês, alfaces, favas, ervilhas de quebrar… “Estes legumes têm um sabor fantástico, acho que acabam por usufruir da mineralidade que lhes é dada pela nossa proximidade ao mar”, explica o chef. Arranca entretanto um rabanete, espreme-o para mostrar que “é realmente sumarento” e depois sacode-lhe a terra e dá uma dentada. “É incrível, pode comer-se cru.” Não o experimentamos cru, provamo-lo antes em pickles no porco preto alentejano, favas (que também vieram da horta para o prato) e migas.

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