Fugas - restaurantes e bares

  • Paulo Pimenta
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Há um novo conceito na casinha da Foz

Por José Augusto Moreira ,

A par de alguns clássicos, Pedro Lemos, no Porto, propõe também uma oferta mais próxima do mercado e dos produtos frescos de temporada. À qualidade culinária junta-se a elegância e o sentido estético evidente em todos os pratos.

Já poucos se lembrarão do Pifo ou do Beco, dois bares que antes habitaram o espaço onde mora agora o restaurante Pedro Lemos, mas o que importa é recordar que aquela casinha bem ao estilo da Foz Velha há muito que era uma referência para os portuenses mais dados aos chamados prazeres da boa vida. Mudaram-se os conceitos e horários -agora bem menos nocturnos - mas o espaço continua ligado ao imaginário de elegância e qualidade de vida típico da burguesia da Foz.

E passados que estão perto de cinco anos sobre a abertura, é também tempo de Pedro Lemos evoluir para um conceito de maior aproximação à vivência local. Para trás ficou a aventura na Baixa do Porto, com a abertura do Clérigos Vinhos e Petiscos e da Brasserie que lhe está associada, a par do desencanto com o arrastar da prevista abertura de um espaço gastronómico com pretensões de topo e que acabou por determinar o seu afastamento do projecto.

Uma aventura durante a qual o jovem chef deixou de lado o restaurante da Foz. Agora, além do reformular do conceito gastronómico com a sua assinatura, diz que o tempo de afastamento lhe mostrou também “que as pessoas sentiam a falta da intimidade desta casinha”. Daí que, a par de uma oferta que puxe os clientes para uma maior assiduidade, tenha optado também por reduzir os lugares, tanto nas duas salinhas interiores como no terraço, “para que o ambiente seja mais acolhedor e exclusivo”. 

Quanto à cozinha, as mudanças passam fundamentalmente por uma oferta mais diversificada, apoiada nos peixes da faina diária, e também mais próxima do mercado e dos produtos frescos de temporada. A ideia é que, para lá das experiências gastronómicas e dos momentos especiais, o restaurante possa funcionar também como um espaço para a refeição de todos os dias e com preços compatíveis. 

Ao almoço, são propostos menus de 20 ou 30 euros, com três ou cinco pratos, respectivamente, que tanto podem incluir um peixe de anzol da safra do dia como o leitão com batata-doce e espinafres ou outro dos clássicos da casa. Para o jantar, os menus de três, cinco ou sete pratos, passam para 50, 65 ou 80 euros, respectivamente, com propostas que se concentram nos pratos e criações culinárias que com o tempo adquiriram o estatuo de clássicos. Lá estão o robalo com aipo, molho das barrigas e cogumelos silvestres, ou a vitela mirandesa, gnocchi com trufa, endívias e espargos brancos. A cada menu corresponde uma proposta específica de harmonização com vinhos, com preços que vão dos 25 aos 45 euros.

Para lá de uma oferta menos previsível, já que variável em função da oferta de peixes, mariscos e produtos frescos do dia, e também bem mais contida nos preços, tudo o mais se mantém. Do telheiro que nos acolhe à entrada às duas salinhas que compõem o espaço interior e o acolhedor terraço para os dias de Verão que tardam em chegar. Ambiente e decoração de contida elegância e serviço ao mesmo estilo. 

Tudo a proporcionar a devida evidência para o trabalho de cozinha onde, a par da modernidade suportada na sofisticação e qualidade técnica, o que mais sobressai é a harmonia com que se manejam e respeitam as características e os sabores dos produtos. 

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