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Eslovénia, por entre castelos encantados

Ainda parece que escuto a voz do menino.

Bled é como um postal. Mas um postal que nunca é ignorado numa gaveta. É uma memória, viva, permanente, uma recordação, porque as recordações nunca precisam de ser escavadas na mente para serem revisitadas. Estão presentes.   

- Conta outra vez.

Skofja Loka

Uma neblina paira sobre a cidade mas a igreja, pintada de um amarelo desmaiado, recebe os raios do sol que incidem também sobre os telhados que conferem harmonia a Skofja Loka. Finalmente, quando a manhã já avança, a bruma despede-se e deixa ver, dominando a pequena urbe situada na confluência dos rios Poljane Sora e Selca Sora e recortado pelas montanhas, o castelo homónimo, já documentado no século XIII. Ainda mais para cima, já quase a 500 metros acima do nível das águas do mar, avista-se a Krancelj, uma colina que acolhe as ruínas de uma antiga fortaleza onde, até 1892, se levantava aquela que era a estrutura mais alta do castelo e à volta da qual foram nascendo núcleos residenciais.

Uma das cidades medievais mais bem preservadas do país, Skofja Loka tem uma forte e ancestral conotação com o poder eclesiástico por ter abrigado, já depois da construção do castelo erguido inicialmente com fins defensivos e até à secularização, nos primeiros anos do século XIX, o bispado de Freizing, um braço religioso do Sacro Império Romano-Germânico.

À volta da torre principal existiam já, no século XIV, alas residenciais que ligavam a outras torres defensivas mas o forte terramoto que abalou a região, em 1511, provocou danos avultados que motivaram a sua renovação e da área circundante – uma das torres recebeu, em 1527, uma capela que acolhe hoje altares em talha dourada da igreja de Dražgoše, queimada pelos alemães. Com o fim do Sacro Império Romano-Germânico, o castelo, como aconteceu com Bled, passou de mão em mão, como um brinquedo, tendo proprietários sem qualquer noção de beleza estética ou de sentido histórico que hipotecaram alguns dos seus elementos mais marcantes.

Desde 1959 e até aos dias de hoje, o castelo, palco, de quando em vez, de manifestações que remetem o visitante para a Idade Média, abriga um museu e outras galerias com importantes colecções de arte de mercadores nativos de Škofja Loka e arredores, bem como uma amostra da história local e da vida na terra de Ivan Tavcar, o escritor, advogado e político que nasceu, no início da segunda metade do século XIX, numa aldeia próxima, em Poljane, na época parte integrante do Império Áustro-Húngaro.

Gewerkenegg

Só mesmo uma rajada de vento seria capaz de arrebatar aquela calma que pairava sobre a vila tão silenciosa. O céu vestia-se de um azul-cobalto, o ar era puro, a luz diáfana. A meio das escadas, detive-me para erguer o olhar. Era ainda cedo, dizia-me o relógio da torre que, mesmo ao meio, superava em altura as duas torres austeras que a ladeavam, com as suas janelinhas e o seu telhado avermelhado. 

Não avisto um único turista.

Volto-me de novo para o castelo, o único, em todo o país, que não foi levantado pelos senhores feudais mas tão-só para fazer face às necessidades das minas de mercúrio – durante mais de 400 anos, Gewerkenegg funcionou como sede administrativa do sector que proporcionou um tempo de esplendor à região.

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