Entre eles está Diogo Neves, que lidera uma comitiva de 16 golfistas amadores, todos eles portugueses. Não se considera um "especialista em cruzeiros", mas já fez "uns três ou quatro", e, por isso vai dando dicas aos companheiros, quase todos "virgens" nestas andanças. Do Oasis espera "o melhor" e fica prometida uma conversa para mais tarde. É que, agora, não há tempo a perder: é hora de subir a bordo. "Com as burocracias dos norte-americanos e o rigor com que aplicam as medidas de segurança, a coisa promete ser demorada", penso. Mais um equívoco que se desfaz: em apenas vinte minutos está tudo tratado e já estou em plena Royal Promenade, o coração do Oasis no deck 5. Esse é apenas um dos sete "bairros" temáticos do Oasis, onde se concentra uma ampla variedade de lojas, restaurantes e bares. Os operários que, em Agosto, davam as últimas pinceladas de requinte nessa área são agora substituídos por turistas sedentos de descobrir tudo. No final, vão perceber que uma semana é insuficiente. (Será este um defeito do barco?)
A hora da partida estava marcada para as 17h00. A RCI não brinca com a pontualidade e, como um relógio suiço, o barco começa a mexer-se no segundo exacto. Mas só quem está de olhos no mar percebe que o maior navio cruzeiro do mundo iniciou a sua viagem. Dou um breve olhar pela janela virada para o mar e paro tudo. É tempo de sair da cabine, correr até ao deck 15 ou 16 e procurar um lugar para ver Fort Lauderlade ficar para trás. A partida repete-se todos os sábados desde Dezembro, mas continua a arrastar centenas de pessoas para o cais de Port Everglades. Tiramnos fotografias, dizem adeus aos sortudos que começam agora a viagem.
As minhas três primeiras horas no Oasis passaram num instante. E vai ser sempre assim.
Poucos minutos depois, Fort Lauderlade desaparece no horizonte e o Oasis fica rodeado apenas pelo azul do Atlântico.
Regresso à cabine porque há muita leitura para pôr em dia. É preciso descobrir tudo o que o Oasis nos oferece e, para isso, é obrigatório ler atentamente toda a informação fornecida. No navio, a toda a hora há o que fazer, mas, porque o rigor também se aplica a uma boa gestão dos interesses de cada passageiro, procuro na cabine a "bússola" que todos os dias aí é colocada pelo camareiro. Chama-se Cruise Compass, inclui oito páginas em português e em inglês, e diz-nos tudo o que precisamos de saber sobre o que se irá passar no barco. "Acabou de embarcar numa jornada como nenhuma outra, onde todas as convenções que conhece sobre cruzeiros ficaram para trás", lê-se nas primeiras linhas. "Promessas", acrescento eu.
Quando começo o reconhecimento do barco, bastame uma visita rápida para perceber que, afinal, o que nele impressiona não são apenas os números. O Central Park, por exemplo, é algo que dificilmente se consegue imaginar dentro de um navio. Bem no meio do Oasis (no deck 8), é um parque a céu aberto com cerca de 12.175 plantas de 93 espécies diferentes. É a zona mais recatada do barco e, para comprovar a sua autenticidade, até se podem encontrar por lá pequenos pássaros que escolheram como casa a folhagem de 56 árvores cujo porte pode crescer até sete metros de altura.