Fugas - viagens

Nelson Garrido

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Esqueça o que sabe sobre navios: este não tem defeitos

Há, no entanto, quem se dê ao luxo de gastar os preciosos minutos a bordo do navio apenas a desfrutar do sol. Um dos lugares mais tranquilos para isso é o Solarium, instalado na parte da frente do Oasis e foi lá que encontrei Jerry Forro. Filho de emigrantes húngaros que partiram para os Estados Unidos para fugir à I Guerra Mundial, Jerry é um expert em cruzeiros: o Oasis era o 17.º do seu curriculo e já conhece metade dos 22 navios da RCI. Ao seu lado estava Barbara, a mulher por quem se apaixonou aos 27 anos e que o fez abandonar a vocação de padre.

"Já atravessei o Atlântico, andei pelo Báltico, pelo Mediterrâneo, no Canal da Mancha e até já atraquei em Lisboa", conta com orgulho, revelando que ficou fascinado com a "fé dos portugueses" na visita a Fátima. Reformou-se depois de ter amealhado uma fortuna como construtor civil e agora passa agora o muito tempo livre que tem a viajar com a mulher. "País preferido? Para além dos Estados Unidos? Portugal", responde a sorrir, após uma troca de olhares cúmplices com Barbara. Depois, mais a sério, reconhece que "é impossivel escolher um". Sobre o Oasis não tem dúvidas e a primeira palavra que lhe vem à cabeça é "maravilhoso". "Já fiz quase todos, como lhe disse, mas este é sem dúvida o melhor e não consigo encontrar defeitos", afirma. "A variedade de escolha aqui é impresionante e não temos tempo para experimentar tudo. Até ao nível da comida é do melhor que tenho encontrado, mesmo comparando com os hotéis e restaurantes de topo que já conheci".

No que se refere aos outros 16 cruzeiros que o norte-americano já fez, o Oasis também fica a ganhar. "Apesar das mais de 8000 pessoas que vão aqui dentro, este parece ter menos gente em comparação com os outros", observa. "É fantástica a evolução da RCI e ver como eles aprenderam a agradar. Está tudo muito bem programado e distribuido." Jerry realçou ainda outro mérito da companhia: "O objectivo deles era que neste barco as famílias se sentissem bem e o facto é que o tratamento que dão às crianças é incrível. Juntam os miúdos todos na mesma área, que é monitorizada pelo staff do barco, e os pais não têm nenhuma preocupação, porque o problema da linguagem não se coloca e é mais seguro deixá-los ali do que nas escolas." (Está visto! Nem um "doutorado" em cruzeiros me ajudou na busca de um defeito.)

Com conversas destas, gastronomia irrepreensível e três saídas para as paragens previstas no cruzeiro (ver texto à parte), a semana acabou num instante. Enquanto espero pelo transfer para Miami, observo a porta de desembarque e só a muito custo, de longe a longe, vou reconhecendo uma cara conhecida. Esse também é um dos fascínios do Oasis: é sempre tudo novo, tudo diferente, todos os dias.

Fort Lauderlade, 20 de Março. O grupo de 16 golfistas portugueses volta a reunir-se comigo para um brainstorming, mas ninguém me ajuda. "Foi muito bom! Tudo impecável", insistem. A minha última esperança é o Nelson, o fotojornalista do PÚBLICO que me acompanhou na viagem. Peço-lhe que me aponte um defeito do Oasis. Ele deixa o teclado do computador, pensa um bocado e responde: "Também já pensei nisso, mas não consigo encontrar nenhum". Desisto. Nem com os da casa posso contar. Dou-me por vencido.

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