Ainda se pode subir ao terraço da torre, com caminho de ronda e, claro, a melhor vista da região - do vale do Ave ao vale do Cávado, do castelo roqueiro de São Mamede de Penafiel à Serra da Cabreira. Mas não se duvide: o Castelo de Lanhoso é um castelo sempre à beira do abismo.
Castelo de Lanhoso
Póvoa de Lanhoso
Tel.: 253 639 708
Fax.: 253 631 435
E-mail: casa.botica@mun-planhoso
www.avedigital.pt/museus/nmpl
Horário: A alcáçova do Castelo de Lanhoso fechou para obras no final de Setembro (recuperação de um piso da Torre de Menagem e iluminação exterior) e deverá reabrir em Março de 2011 com o horário anterior: de terça-feira a domingo, das 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 17h30.
Preços: €1; €0,50 para reformados e estudantes.
Sabugal
Agora atravessamos o rio Côa como se nada fosse, há 800 anos atravessá-lo era entrar em território inimigo - no reino de Leão e Castela. Atravessamo-lo para chegar ao Castelo do Sabugal, que antes de ser português foi leonês; que foi construído como resposta a um castelo português, o de Sortelha, naquela lógica de "política de diálogo de fronteira", refere Mário Jorge Barroca - e que até obrigou a uma "transferência", do "Sabugal Velho" (há ruínas) para o "Sabugal Novo". Este onde chegamos por estes dias e que passou a ser português em 1296, com D. Dinis - confirmado em 1297, na assinatura do Tratado de Alcanices.
Ainda atravessamos no mesmo sítio onde D. Dinis o fazia. Quase que abraçada pelo rio, a elevação onde se situa o castelo é diminuta e sobe-se por ruas que receberam recentemente nomes históricos - D. Sancho I, Aljubarrota... No topo, uma praça de empedrado novo, com pelourinho do Estado Novo e plátano crocitante, deixa-nos face a face com as muralhas do castelo - as da povoação foram desaparecendo: a Torre do Relógio, ninho de cegonhas, é a parte mais visível dessa muralha que foi quase oval, ao lado da Câmara Municipal (também ela erguida em parte da fortificação). Na verdade, o próprio castelo não resistiu totalmente a essa voracidade construtora e está também espalhado em pedras e cantaria por todo o Sabugal, mas a intervenção dos anos 40 da DGEMN recuperou-lhe a silhueta.
Mas ainda estávamos com D. Dinis, que conquistou o Sabugal e dentro da muralha leonesa construiu o castelo. Em zona baixa, sim, logo "sem condicionalismos topográficos", refere Mário Jorge Barroca, e com "determinados mecanismos de defesa" que lhe permitem a sobrevivência - e validade. Um castelo novo e pensado. "Um bom exemplo do castelo gótico" - a saber, planta geométrica, distribuição muito racionalizada das construções no interior, quatro torreões e uma torre de menagem única: pentagonal.
Para chegar à torre das quinas, passamos primeiro a barbacã (do século XIV), muralha baixa que circunda a fortaleza e passamos pela recepção/posto de turismo, edifício recente de ferro e vidro. Pela porta principal, desembocamos na praça de armas, espaço rectangular amplo agora coberto de terra amarela - excepção para o pequeno anfiteatro de xisto virado para um palco, que aproveita a boa acústica do espaço.